Você teme a morte?
Se você já assistiu à franquia Piratas do Caribe — mais especificamente o filme O Baú da Morte — talvez se lembre da pergunta feita pelo capitão do Holandês, Davy Jones, aos marinheiros que capturava:
“Você teme a morte?”
Embora pareça simples, essa pergunta é carregada de um significado profundo e nos leva à reflexão: o que significa temer a morte?
Ou melhor: devemos temê-la?
A pergunta que atravessa o tempo
A resposta depende. Se você é cristão, não deveria temê-la.
Mas, se não é, preciso lhe dizer: sim, você deve temer a morte — não a morte em si, mas o que vem depois dela.
Nesse ponto, talvez você diga:
“Ah, mas eu não creio em vida após a morte, então isso não se aplica a mim.”
Mesmo assim, convido você a continuar esta leitura com mente e coração abertos.
Talvez o que virá a seguir o leve a refletir de forma diferente sobre a vida — e sobre o que há além dela.
A certeza que todos ignoram
A morte é uma certeza para todos: ricos ou pobres, altos ou baixos, brancos ou negros, brasileiros, franceses ou japoneses.
Mesmo sendo uma realidade inevitável, vivemos como se ela nunca fosse chegar. Só pensamos nela quando alguém próximo — ou algum famoso — morre. Refletimos sobre a brevidade da vida, mas logo esquecemos e seguimos adiante.
Enquanto escrevo, milhares de pessoas estão nesse período de reflexão.
Alguns perderam familiares ou amigos; outros choram a morte de alguém conhecido publicamente.
É uma sexta-feira de julho, e ontem foi noticiada a morte de um jogador de futebol de apenas 28 anos, vítima de um acidente de moto junto com o irmão mais novo. O jovem havia se casado há apenas dez dias e deixou três filhos.
Notícias como essa nos lembram de como a vida é frágil — um sopro que pode se esvair a qualquer momento.
Pensar na morte faz bem
Refletir sobre a morte não apenas é necessário, mas também traz benefícios.
Em seu livro A Malignidade do Pecado, Thomas Watson aborda esse tema no terceiro capítulo — e é a partir de suas ideias que sigo esta reflexão.
O primeiro ponto é que a morte virá para todos.
Ela é certa e não avisa quando está próxima; nunca sabemos quando chegará a nossa vez.
O segundo ponto é que ela traz mudanças físicas: o corpo que antes era forte, belo e funcional torna-se desprezível, pois, assim que a vida se esvai, inicia-se o processo de degeneração e decomposição.
Por fim, a maior mudança é a espiritual: nosso corpo volta ao pó, mas e a alma? Para onde vai?
A transição inevitável
A morte não é o fim, mas uma transição.
Passamos deste mundo para outro, e o lugar da eternidade dependerá de como vivemos aqui.
Para o cristão, a morte não deve ser temida, mas aguardada com esperança — não de modo mórbido, ansiando pelo fim da vida, de forma alguma.
Ela é aguardada porque a vida que nos espera trará alegrias inenarráveis.
Viveremos com Cristo na cidade celestial, onde não haverá dor, sofrimento, choro ou lamento.
Será uma vida plena e eterna (Ap 21.4).
Quando a morte é o começo do fim
Por outro lado, para aqueles que não creem em Cristo, a morte será o início de uma eternidade de sofrimentos.
Bastará um minuto no inferno para se esquecerem de todos os prazeres que tiveram na terra.
Para muitos, isso soa como uma ameaça e até desperta questionamentos sobre a bondade de Deus:
“Como pode um Ser bondoso ameaçar com castigo eterno aqueles que não o amam?”
Mas a condenação não é uma ameaça — ela é fruto da rebeldia do homem contra seu Criador.
No início da criação, tudo era bom e perfeito: a morte não existia, não havia sofrimento nem dor.
Havia uma perfeita relação entre o Criador e a criatura; tudo era belo.
Mas a queda, por causa do pecado, trouxe condenação para toda a humanidade.
A comunhão foi rompida, o pecado entrou no mundo, a maldade tornou-se inerente ao ser humano e, com isso, veio seu afastamento de Deus.
A esperança que vence a morte
Deus poderia condenar a todos, e estaria sendo justo se o fizesse.
Mas Ele, em sua infinita bondade e misericórdia, decidiu salvar o Seu povo e enviou Seu próprio Filho, Cristo Jesus, para pagar o preço do pecado e sofrer a condenação que nós merecíamos.
Por causa do sacrifício de Cristo, somos salvos.
Nossa comunhão com o Pai foi restaurada, e podemos desfrutar novamente de um relacionamento com Ele.
Deus não nos deve nada e poderia nos condenar se quisesse, mas escolheu nos salvar.
Você ainda pode dizer que acha tudo isso uma grande besteira e preferir seguir sua vida como bem entender — e pode até retrucar dizendo:
“E se você estiver errada, e no final não existir nada? E se nossa existência se resumir unicamente a esta vida?”
Bem, nesse caso, faço das palavras de Billy Graham as minhas:
“Ainda que não exista céu, a Bíblia se torne algo inútil e viver em santidade se torne loucura, foi um prazer ser cristão.”
A morte é certa — mas, para o cristão, ela não é o fim.
Não precisamos temê-la quando pertencemos àquele que venceu a morte.
Obrigada por ler até aqui!


